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Futura candidatura do Canto a Vozes à UNESCO

12 Maio 2026

Vale de Cambra acolheu, no passado dia 9 de maio, uma reunião intermunicipal dedicada à valorização e salvaguarda do Canto a Vozes, promovida pela Associação de Canto a Vozes - Fala de Mulheres (ACVFM), reunindo municípios e agentes culturais de diferentes regiões do país em torno de uma futura candidatura à lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.

A reunião integrou o programa do 2.º Encontro Nacional de Canto a Vozes, iniciativa coorganizada pela ACVFM e pelo Município de Vale de Cambra, e que decorreu ao longo do fim de semana no Centro de Artes e Espetáculos de Vale de Cambra.

Estiveram representados os municípios de Arouca, Esposende, Lisboa, Oeiras, Santa Maria da Feira, Sever do Vouga, Guimarães, São Pedro do Sul, Viana do Castelo, Vouzela e Vale de Cambra, bem como representantes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte e do Centro.

“Para Vale de Cambra foi uma honra e um orgulho acolher este momento decisivo para o futuro do Canto a Vozes. Acreditamos que a salvaguarda deste património passa precisamente pela ligação entre comunidade, educação, memória e participação intergeracional, princípios que têm orientado o trabalho cultural desenvolvido pelo Município”, afirmou a vereadora da Cultura de Vale de Cambra, Mónica Seixas.

A autarca destacou ainda o compromisso do Município com a salvaguarda e valorização deste património cultural imaterial, sublinhando o trabalho desenvolvido através de projetos de mediação cultural e transmissão intergeracional, como o “Debulhar Cantadas”, que envolve crianças do 1.º ciclo e elementos das comissões de idosos do concelho.

“Foi uma reunião de trabalho muito rica, de partilha de práticas e profícua para o grande objetivo que nos une: garantir que este património não se perde”, acrescentou.

Durante a sessão, em que esteve também presente o Conselho Consultivo da ACVFM, representado por Susana Sardo, Margarida Antunes, Presidente da ACVFM, e Maria da Luz Soares, também membro da direção da associação e presidente do Grupo de Folclore Terras de Arões, de Vale de Cambra, apresentaram o percurso desenvolvido desde a criação da associação, destacando a inscrição do Canto a Vozes de Mulheres no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, em 2023, bem como o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido para a valorização nacional e internacional desta prática.

“O que sentimos nesta reunião foi que existe uma vontade real de trabalhar em conjunto para proteger e valorizar o Canto a Vozes. Este património continua vivo porque permanece nas comunidades, nas mulheres, nas famílias e agora também nas crianças e jovens que começam a aproximar-se desta prática. O reconhecimento internacional poderá ser importante, mas o mais importante é garantir que o canto continua a ser transmitido e vivido nos territórios, no quotidiano das comunidades”, afirmou Margarida Antunes. A responsável acrescentou ainda que “a candidatura à UNESCO não é um ponto de chegada, é uma ferramenta para garantir que este património continua vivo e transmitido às próximas gerações”.

A reunião contou com a participação de António Sampaio da Nóvoa, investigador e especialista nas áreas da educação, cultura e património, que salientou que muitas das prioridades valorizadas pela UNESCO já se encontram refletidas no trabalho desenvolvido pelas comunidades e entidades envolvidas, destacando a documentação e criação de arquivo deste património, o envolvimento de crianças e jovens na sua transmissão, a promoção da igualdade entre homens e mulheres e o forte compromisso comunitário e autárquico em torno da sua salvaguarda. Nesse sentido, considerou que o processo reúne condições muito favoráveis para uma futura candidatura à UNESCO, sublinhando, contudo, que a principal complexidade residirá no enquadramento nacional, uma vez que Portugal apenas pode apresentar uma candidatura de dois em dois anos, mediante validação do Governo português.

Os participantes reconheceram, ainda assim, a importância de consolidar uma rede de trabalho entre a Associação Canto a Vozes - Fala de Mulheres, os municípios envolvidos e as Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), tendo sido assumido o compromisso de desenvolver um protocolo de colaboração que permita reforçar as ações de salvaguarda, valorização e transmissão desta prática cultural.